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"Um dia, Assis não se sabe como, o rapaz começou a bater pandeiro. Tanto que surrou, que sentiu sua alma vestida de malandro, com sua calça listrada, camisa de meia manga "palheta", e com muita vontade de brigar, tornou-se um dos nossos grandes compositores e sambistas daquela época ".
















segunda-feira, 31 de maio de 2010

A segunda tentativa de suicídio do compositor baiano Assis Valente

Mas a carreira bem sucedida de Assis Valente como compositor não foi suficiente para mantê- lo vivo, e anos depois de cometer a primeira tentativa de suicídio, na seqüência de uma cobrança escandalosa da cantora Elvira Pagã, para quem devia dinheiro há algum tempo. Assis, cortava os pulsos pela segunda vez, mais eranovamente salvo. Mas mesmo assim, o compositor nunca mais seria o mesmo.
Cada vez mas afastado de todas as pessoas do seu convívio, não deixava que ninguém soubesse dos seus problemas íntimos e reais. O desalento e o abandono em seu peito só faziam aumentar  a tristeza cada vez mais. O compositor Russo do Pandeiro, chegou a declarar:- "Eu diria que conheci três Assis Valentes": Entre 1933 e 1939, Assis, era com Carmen Miranda, um homem presente, um compositor alegre- intenso, de 1940 a 1951, alegre- moderado, e de 1951 até o fim da vida alegre- tristíssimo".

Assis Valente compunha a música "Boneca de Pano" em homenagem a amiga Carmen Miranda, por quem tinha um grande apreço inestimável


O compositor compunha em 10 de julho de 1950, o samba "Boneca de Pano". A música relembra um pouco a nossa Pequena Notável com seu semblante de bonequinha de louça, nesse caso de pano. Com sua pele alva e clara, e a sua boca vermelha traduziam perfeitamente a letra da melodia.   

O adeus a Carmen Miranda, a "Pequena Notável" para os brasileiros e a "Brazilian Bombshell" para os americanos como era chamada

Mas no dia 5 de agosto de 1955, vinha a notícia dos rádios, que comunicavam o falecimento da cantora Carmen Miranda, a "Pequena Notável". Depois de passar mal um pouco antes em um programa de televisão ao vivo. A Pequena Notável, teve um colapso cardíaco, um enfarte fulminante, na sua casa em Beverly Hills, Estados Unidos. Seu corpo, foi embalsamado e veio de avião direto para o Brasil, onde uma multidão de um milhão de pessoas a esperavam no aeroporto do "Galeão", atual "Tom Jobim', seguindo o cortejo de seu enterro, cantando emocionado a música "Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim", sua primeira canção de grande sucesso, composta por Joubert de Carvalho. A cantora Carmen Miranda, até hoje continua sendo sempre lembrada pelo povo e pelos seus fãs, através de shows e discos em sua homenagem como nos filmes, documentários sobre a sua vida (como o premiado "Banana Is My Bussines"), aonde era conhecida pelos americanos como "Brazilian Bombshell".     

O corpo de Carmen Miranda chegou ao Rio no dia 12 de agosto de 1955. Ao microfone da Radio Mayrink Veiga, a sua estação aqui no Brasil, César Ladeira, naquele dia, fez uma saudação de despedida à Carmen. Apesar da qualidade da gravação não ser boa, vale a pena ouví-la:

Carlos Henrique (locutor): Vai falar, César Ladeira.

César Ladeira: Carmen, minha boa amiga, quiseram seus antigos companheiros da Mayrink Veiga que fosse eu o intérprete de sua tristeza nesse nosso último adeus. Eu, que tantas e tantas vezes apresentei você ao microfone da sua estação, com sua voz que fazia vibrar o espaço de alegria e de ritmo, eu sou agora o escolhido para a despedida extrema. Por este mesmo microfone, quando seu silêncio definitivo enche nossos corações de mágoa e tristeza. Esta mesma rua, que hoje se encontra repleta de gente amiga, deplorando seu desaparecimento, esta mesma rua foi testemunha de seus sucessos mundiais lá por volta de 1934. Você, no marasmo artístico daquela época, era um acontecimento nacional. Seu nome projetava-se para o alto, num destino vaidoso de rojão, sempre subindo, subindo. Duas vezes por semana, na obrigação pontual de suas audições, essa gente se acotovelava numa pequena sala apelidada de auditório, acompanhando feliz pelo vidro do estúdio os números musicais que você enviava a todo o Brasil, criando sempre um sucesso atrás do outro. "Camisa Listrada", "Uva de Caminhão", "Adeus Batucada", "No Tabuleiro da Baiana". Essa mesma gente ficou feliz quando soube em 1939 que outros olhos iriam apreciar sua arte para sempre, lá fora, lá longe. Sempre feliz, minha amiga, essa mesma gente que a levou até o navio para um bota-fora consagrador, essa mesma gente foi buscá-la no ano seguinte após a confirmação de seu êxito internacional. No âmbito da Rua Mayrink Veiga, que aqui andou e que a seguiu pela Avenida Rio Branco super lotada. Os alto-falantes berrando e você, a Pequena Notável, foi saudada como uma legítima jóia verde-amarela. A nossa cantora doméstica ia além fronteiras que ampliavam seu cartaz. O cinema levara nossa Carmen Miranda à todas as partes do mundo. E em todo coração havia um lugarzinho reservado para a gente gostar de você. E você, Carmen, você acabou voltando para longe e lá ficou catorze ou quinze anos. Seu pensamento constante era, no entanto, a sua terra. Neste Brasil onde você não nasceu, mas que poderia ter nascido pelo que por ele fez na divulgação de sua música. Um milagre, apesar do distante, sua estrela ainda brilhava com intensidade. Seu nome continuou sendo uma claridade. Mas enquanto seus antigos companheiros da Mayrink Veiga, essa mesma gente que sempre acompanhou seus passos com interesse, enquanto nós gozávamos com seu sucesso permanente, esse mesmo sucesso vinha matando você, Carmen. A glória vinha pouco a pouco assassinando, desgastando suas energias, num vai-e-vem obrigatório de contratos a cumprir, na exigência fria e calculista dos números, em quinze anos passados tivemos a prova do preço de sua popularidade, Carmen. A Pequena Notável, aqui chegava quinze anos depois, curvalida, cansada, com os nervos em pedaços. Espalhou-se por aí uma onda de boatos imaginando doenças demais. Apenas uma era a causa: descontrole imenso de nervos, cansaço, excesso de trabalho. Mas então o que valera tudo aquilo? Toda aquela brilhante carreira, toda aquela trajetória maravilhosa? Afinal, este sacrifício valeu a pena? Valeu, e não valeu. Valeu pela repercussão internacional das melodias do Brasil, das coisas do Brasil. Do Brasil ele mesmo, da embaixada risonha, cujo côro musical presidido pela Pequena Notável, conseguiu divulgar no exterior. Valeu a pena sim, para nós. Mas não valeu a pena para você, Carmen, que pagou tão alto salário pelo custo de sua fama. Ao mesmo tempo, dançava e "iaiava". Divertia populações e enriquecia. Mas de que valeu tanto sacrifício, que comprou a glória a tão elevado preço - a própria vida? Carmen, nós, seus antigos companheiros, dessa rádio de tão brilhantes dias, nós, que desta Rua Mayrink Veiga, nós, o Brasil, que a acompanhávamos sempre radiantes por suas glórias, também lhe devemos alguma coisa. E essa dívida nós saldaremos no culto perene da sua saudade. Nós lhe devemos todo esse sacrifício feito por nós. E porque nós sabemos que foi para nós, com pensamento no Brasil, que você embarcou uma noite, em 1939, para Nova York, para elevar o nome musical do Brasil. Tão alto, tão alto que numa certa madrugada de agosto de 1955, você percebeu que estava cantando para alguns amigos que você nunca esqueceu: Custódio Mesquita, João de Barro, Francisco Alves, Noel Rosa, César Silva, Luiz Barbosa. Carmen, você que sempre me agradecia o apelido com que num dia feliz eu a chamei, a Pequena Notável, desculpe-me hoje a falta de brilho destas palavras pequenas, mas eu desejei ser apenas sincero. Seu amigo de sempre, seu velho companheiro de luta, o representante de todos que aqui trabalharam e trabalham agora. E é sinceramente que eu lhe trago nosso muito obrigado por tudo que você fez. E é sinceramente que eu lhe digo que seu sacrifício será para sempre louvado em nossa terra. E é sinceramente, Carmen amiga, que lhe desejamos que você repouse em paz. Nessa paz que você nunca teve em sua atribulada carreira. Adeus, Carmen. Adeus. Repouse em paz.

Declaração de Assis Valente para Carmen Miranda em sua morte

Assis Valente, declarou:- "Eu e Carmen fomos em certa época um só. Depois ela foi para os Estados Unidos, eu deixei de ser compositor e passei a levar esta vida que não é vida". 

O primeiro encontro de Carmen Miranda e o compositor baiano Assis Valente no Teatro "João Caetano"


Assis Valente foi dos que, de início, perceberam que Carmen Miranda tinha um potencial, era um gênio musical. Conheceu- a, de vista, no Theatro "João Caetano". Tentou, por diversas vezes aproximar- se dela. Impossível, porque um homem magro, carregava sempre um violão, boêmio mas com expressão severa, não permitia. que Assis Valente não chegasse perto da Pequena Notável. Mas o compositor persistente, nunca desistiu de um dia chegar perto de sua adorável e admirável Carmen Miranda. Carmen Miranda tornou- se- lhe, para o compositor, então uma fundo "E bateu- se a chapa", interpretado na voz da cantora Carmen Miranda.   Então, por acaso, (o acaso amigo de todos os artistas) fez com que o violonista Josué de Barros, que era o tal homem magro, de violão em punho, que sempre acompanhava Carmen, tocasse distraído, a introdução da música de Assis. Foi um grande sucesso. A música comovia, e fazia chorar. Assis valente relembra o tal fato a Ari Vasconcelos: Assis Valente, chegou a declarar, dizendo:- "Foi um sucesso tão grande que me arrancou lágrimas dos olhos. Ela me viu e gritou para o povo: "Vou apresentar, agora a vocês o dono da música". Houve um bis, todos cantaram em coro. Senti que tinha surgido. Sinto que hoje com a morte da nossa Carmen Miranda muita gente vai querer aparecer. "Eu preferi continuar a sombra da nossa grande amizade".     

Os três baianos da vida de Carmen Miranda: Josué de Barros, Dorival Caymmi e Assis Valente.

Carmen Miranda deve a sua carreira promissora de cantora popular brasileira, a três baianos. Esses três baianos, filhos da Bahia, que a "Pequena Notável" tanto exaltou, cantando sambas, abriram caminhos para a sua fama, ao seu sucesso. Em três momentos da vida da estrela luso- brasileira, eles foram fatores decisivos para sua carreira como cantora. A cantora Carmen Miranda, chegou a declarar:- "Assis Valente é um desses compositores baianos junto com Josué de Barros e Dorival Caymmi". Assis Valente fez um sucesso fenomenal em 1933 com a composição "Good bye, boy". O segundo baiano na vida de Carmen foi o compositor Assis Valente que veio para o Rio em 1927 com diploma de protético e estudante de odontologia, dividia seu tempo entre o consultório bem montado e a roda do samba, reinando com cetro e coroa em pouco tempo, e durante dez anos seguidos, porque Carmen Miranda gravou os discos de Assis Valente com exclusividade, e o fez absoluto, eterno.
Foi o violonista Josué de Barros quem aproximou Assis de Carmen Miranda numa festa no antigo cinema "Broadway", hoje Cine Odeon, na Cinelândia, no Centro da cidade do Rio de Janeiro.
Para a cantora e o compositor Assis valente, começou então a "Era de Ouro" de suas vidas. Entre outras
coisas, Assis Valente compôs especialmente para a Pequena Notável canções como "Good bye, boy", "Camisa Listrada", "Papai Noel", "Anoiteceu", "Uva de Caminhão", "Disseram que voltei americanizada", "E o mundo não se acabou", "Minha embaixada chegou", enfim muitas outras músicas que foram sucesso e consagradas nos grandes carnavais passados. A grande maioria dos discos de Carmen Miranda é de autoria do compositor Assis Valente, o segundo baiano que levou- a à fama.
Essa coleção vale ouro hoje muito para os colecionadores que são apaixonados por esse estilo musical.              

Os grandes artitas da Cultura Popular Brasileira que partiram cedo e deixaram saudade

As músicas que Carmen Miranda cantava de Assis Valente, Ari Barroso, Dorival Caymmi e de outros grandes artistas que atualmente fazem parte do acervo e do patrimônio da nossa cultura popular brasileira. A nossa música nos faz lembrar dos tempos antigos, dos grandes nomes de e compositores e cantores que partiram muito cedo.