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"Um dia, Assis não se sabe como, o rapaz começou a bater pandeiro. Tanto que surrou, que sentiu sua alma vestida de malandro, com sua calça listrada, camisa de meia manga "palheta", e com muita vontade de brigar, tornou-se um dos nossos grandes compositores e sambistas daquela época ".
















Agenda 2011


É DO BARULHO, uma homenagem a Assis Valente

“No dia 19 de março de 1911, nascia José de Assis Valente no recôncavo baiano. Logo cedo Assis, aos 17 anos, iria viver no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, trabalhando inicialmente como escultor de dentaduras e ganhando um trocado também como ilustrador de revistas da época até encontrar Heitor dos Prazeres que o levou para o samba e ajudou a revelar aquele que seria um dos grandes compositores do seu tempo. Num tempo de Noel Rosa, Ary Barroso, Dorival Caymmi, Wilson Batista e Geraldo Pereira, Assis era um grande entre os grandes.

Naturalmente, neste ano de 2011 comemoraremos seu centenário de nascimento nos reunindo pra tocar suas músicas e falar um pouco da sua carreira e vida.

Em dois shows com uma banda formada por mim, Domenico Lancellotti, Rubinho Jacobina, Nelson Jacobina e Pedro Sá iremos passear por diferentes momentos da obra de Assis Valente e, com a ajuda de dois convidados diferentes por show, faremos a nossa homenagem ao seu centenário. Os convidados são, como nós, gente que compartilha da intimidade e da admiração pelo compositor. Jorge Mautner, Nina Becker, Diana Dasha e Marcos Sacramento devem nos ajudar a temperar as noites com suas interpretações e seus conhecimentos da vida de Assis Valente. Espero que possamos encontrar juntos muitas pérolas deixadas por ele para todos nós.” (Moreno Veloso)

Nos próximos dias 08 e 09 de abril (sexta e sábado), no Teatro de Arena do Espaço Sesc Copacabana, tem duas apresentações inéditas e imperdíveis do show “É do barulho, uma homenagem a Assis Valente”, músico baiano que faria 100 anos em 2011.

Com uma super banda formada por Moreno Veloso (violão, percussão e voz), Rubinho Jacobina (violão e voz), Pedro Sá (baixo e voz ), Nelson Jacobina (violão) e Domenico Lancellotti (bateria e voz), a obra de Assis, que tem mais de 150 músicas gravadas, será celebrada com as participações especiais de Diana Dasha e Marcos Sacramento (dia 08) e Nina Becker e Jorge Mautner (dia 09).

No repertório do show, os clássicos “Camisa listrada”, “Brasil pandeiro”, “Elogio da raça” e “Amanhã eu dou”, dentre outros.
Teatro de Arena do Espaço Sesc (Rua Domingos Ferreira 160 – Copacabana – tel: (21) 2548 1088
08/4/2011 a 09/4/2011, às 21:00h
R$ 4,00 para comerciários, R$ 8,00 para jovens de até 21 anos, estudantes, classe artística e maiores de 60 anos e R$ 16,00 para os demais.
website
www.sescrio.org.br Centenário DESTAQUES
Rio de Janeiro, 23 de fevereiro de 2011
Festejos Brasil afora
'ICA'(Instituto Cravo Albin)- "Centenário"- Assis Valente 
 
A c a ntora Mariana Baltar e Jo simar Carneiro no violão, numa noite inesquecível, no "ICCA" Instituto Cravo Albin (http://www.institutocravoalbin.com.br), fazem uma pequena homenagem ao 100 anos do compositor baiano Assis Valente, completados no dia 19 de março, cantando as músicas "Uva de Caminhão" e "Brasil Pandeiro".
Rio de Janeiro, 02 de marlo de 2011
 
Rádio Nova MPB (www.novampb.com)
Assis Valente: a genialidade de um poeta no ano de seu centenário
No dia 19 de março de 2011, nascia na cidade de Campo de Pólvora, no interior da Bahia, um menino chamado José de Assis Valente, ou simplesmente Assis Valente. Um garoto pobre, de origem de família humilde, que aos 10 anos de idade já trabalhava como auxiliar de farmácia de sua cidadezinha local. Assis teve uma infância muito conturbada, sofrida, pequeno foi seqüestrado por um certo Laurindo e que logo em seguida foi separado dos seus pais José de Assis e Maria Esteves Valente, e foi adotado pela família "Canna Brasil", da alta sociedade baiana. Mais o menino se sentia muito rejeitado pela família, um sentimento misto de mágoa ao mesmo tempo de carinho por causa dos maus tratos recebidos pelo casal. O menino de pele queimada como as baianas do "Senhor do Bonfim", assustado, tornou- se um rapaz tímido e aos 21 anos de idade, formou- se em farmacêutico e fez curso no "Liceu de Artes e Ofícios" (desenhos), na Bahia mesmo. Em 1927 desembarcava num naviozinho chamado Loyd, no Cais do Porto com uma mala na mão, na cidade do Rio de Janeiro. Assim que chegou no Rio, empregou- se como protético num consultório de dentista, que tornou- se um grande amigo, o senhor Aguiar Dantas, que anos depois virou seu sócio. O rapaz tinha uma profissão muito esquisita, de modelador de dentaduras. Pra sobreviver, o rapaz polia e limava coroas, rabiscava e desenhava calungas à noite. Mais o rapaz José de Assis tinha um sonho, de tornar- se um grande compositor de marchinhas carnavalescas, das nossas músicas populares brasileiras, sentir- se querido e amado por todos, principalmente pelo povo brasileiro. José para passar o tempo, ficava batucando na mesa do consultório de dentista, no seu local de trabalho e ficava cantando baixinho, a poesia que brotava de sua alma. Até que um dia, não se sabe como, vestido de camisa e calça listrada, com chapéu de malandro e tocando pandeiro, com muita vontade de brigar e lutar pelos seus sonhos, tornou- se um dos nossos grandes compositores da MPB. A partir daí não parou mais. Escreveu e fez grandes composições como "Uva de Caminhão", Camisa Listrada", "Recenseamento", "E bateu- se a chapa", etc, a maioria delas foi dada e feitas especialmente para Carmen Miranda, a "Pequena Notável", por quem Assis Valente tinha uma grande paixão e um apreço inestimável. Depois de altos e baixos de sua vida pessoal e profissional, Assis casou- se com a datilógrafa carioca, a senhorita Nadyle, com quem teve uma filha, que nasceu no dia 31 de janeiro, Nara Nadyle Valente. A quem o compositor dedicou a música mais famosa dele "Brasil Pandeiro" , a sua filha. Assis tentou duas se suicidar, mal sucedidas. Mas infelizmente, no dia 11 de março de 1958, Assis Valente nos deixava, conseguia finalmente a sua proeza, suicidava- se ingerindo uma garrafa com guaraná e formicida. O corpo do compositor era encontrado por um rapaz, estendido, deitado num banco de uma praça, conhecido como Praça do Russel, na Glória, às 18hrs da tarde. O Brasil se calava com a morte estúpida do compositor baiano. E no seu último bilhete de despedida escreveu: "Vou parar de escrever, vou sentir saudade de tudo e de todos". E neste dia 19 de março de 1911- 2011, quando Assis Valente completaria 100 anos de seu nascimento, o centenário de uma pessoa ilustre, de um grande compositor da nossa MPB, a importância que ele teve no cenário, na história da nossa música popular brasileira. Salve, Assis Valente! Salve o Prazer!
Flávia Vianna!
Rio de Janeiro, 05 de março de 2011

 

A banda de Ipanema (http://www.carnavalvirtual.com.br) em seus 47 anos homenageia os centenários de nascimento de Assis Valente, José Maria de Abreu, Mario Lago, Nelson Cavaquinho, Pedro Caetano, Peterpan e Sinval Silva, todos mestres da música brasileira.

No próximo sábado (19/03) o compositor baiano Assis Valente faria 100 anos. Suas músicas estão mais vivas do que nunca. Para celebrar a data, fiz uma reportagem para a edição deste mês da revista GOSTO, com a qual colaboro daqui do Rio de Janeiro. Entrevistei a única filha do genial Assis, Nara Nadyle Valente. Durante a conversa, ela se emocionou e disse que seu pai poderia ser mais lembrado, que as novas gerações precisam saber quem foi ele e afinar-se com seu reportório. Desde então, meu contato com Nara se estreitou e as homenagens não devem parar nesta matéria. Com a cantora e amiga Mariana Baltar, que interpreta lindamente as músicas do baiano Assis, quero organizar um evento no Instituto Cravo Albin. O presidente, Ricardo Cravo Albin, já deu o sinal verde e vamos começar os trabalhos. Enquanto isso, é só curtir um pouco da história de Assis Valente na GOSTO e deliciar-se com suas receitas preferidas da cozinha baiana. Aliás, o bolinho de estudante, paixão do compositor, é também um dos meus quitutes favoritos, simples e encantador. Quem quiser ouvir algumas de suas canções, é só clicar na Rádio Maravilha (à direita na barra lateral). Tem Carmem Miranda (sua notável intérprete) cantando “E o Mundo Não Se Acabou” e ”Brasil Pandeiro” por Mart’nália, essa irradiadora de alegria, que gravou sua versão para a música no recém-lançado cd e dvd, África, da gravadora Biscoito Fino. (reportagem completa na seção Música).
Ilustração: Jaca/ Revista Gosto
* Novidade: ver na seção Gastronomia a reportagem sobre o Picadinho, o prato que é a cara do Rio, publicada na edição deste mês de março da revista GOSTO (www.revistagosto.com.br).
Alice Granato
  Rio de Janeiro, 19 de março de 2011 Poema Obama X Assis
Obama ama o oba oba A umbanda de cá Nossa birita, bagunça & astúcia negra Um presidente Visita umA Presidente Mote de samba que faço e não vendo (Para alegria de Assis Valente) Um mundo mudado entendendo as diferenças (?) Assis era um sátiro que amava escondido ( & um amor para debaixo do tapete é sempre algo muito triste ) Obama ama A ola, o hula hula & nosso espanhol Que aprendeu Numa película dos Simpsons Ou numa transmissão de carnaval Obama ama o bardo O brado que há em nos Brasil é mais que pandeiro Berço esplêndido Neste ano comemoramos o centenário de José de Assis Valente (Santo Amaro, 19 de março de 1911 — Rio de Janeiro, 6 de março de 1958). Compositor brasileiro levado ao suicídio por dívidas. Dentre suas composições mais famosas está "Brasil Pandeiro". Esta composição ocasionou seu rompimento com sua intérprete preferida Carmem Miranda porque ela se recusou a gravar a sátira que fizera ao Tio Sam ("o Tim Sam está querendo conhecer a nossa batucada"). Segundo seus biógrafos, vivia o amor que não ousa dizer seu nome.
Autor: Anísio Vianna!
Isso, aqui é uma critíca muito bacana do jornalista e escritor Anísio Vianna em relação a visita de Obama ao Brasil (sábado 19/03/2011), no dia que o compositor baiano Assis Valente completa 100 anos. Bem bolado, Anísio Vianna, Parabéns. Como a memória do nosso país é fraca, como o povo brasileiro, especialmente os cariocas dão valor a nossa cultura, ou melhor dizer a música popular brasileira. Mais uma vez Assis Valente, foi esuqecido pela mídia neste dia, nenhum jornal carioca que se preze falou dele. E Assis Valente foi tão importante para o cenário da nossa música popular brasileira, que a maioria das músicas que ele fazia eram dadas e interpretadas pela cantora Carmen Miranda, a "Pequena Notável". Para os leigos de plantão, a música que eles ouvem todos os de "Natal ", Anoiteceu, o sino gemeu, e a gente ficou feliz a rezar, Papai Noel ver se vc tem a felicidade  para me dar.......... É uma vergonha, que nós cariocas não damos valor aos nossos artistas brasileiros. E quero parabenizar todos os bahianos pela homenagem A Assis Valente, e o jornal Estado de São Paulo pela matéria no jornal sobre o Centenário deste grande compositor baiano.      
O produtor Cultural Augusto Hessel produz em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, um show com vários artistas da música baiana em homenagem ao centenário do compositor baiano Assis Valente. 
(http://www.producoeshessel.com.br)
ASSIS VALENTE – 100 ANOS

A BAHIA REVERENCIA SEU ILUSTRE FILHO ASSIS VALENTE
Por Jefferson Cruz
Foto Divulgação
Salvador, 16/03/2011 - A cidade de Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano, vai se transformar a partir do próximo sábado (19) às 18h, num grande cenário de diversas linguagens artísticas homenageando durante todo o ano o compositor santamarense Assis Valente, que completa um centenário. O evento comemorativo faz parte de uma das ações do Festival de Turismo e Cultura Assis Valente "EU SOU ASSIS VALENTE", envolvendo as linguagens da gastronomia, do artesanato, da música e do folclore. O local escolhido é o Coreto da Praça da Purificação, que foi recentemente reformado e ganhará o novo nome “Coreto Assis Valente”, com cerimônia que acontece paralelamente a programação do projeto, uma iniciativa que é um passaporte para o lançamento oficial seguido de muitas surpresas.
Esta homenagem da Bahia ao seu ilustre filho Assis Valente tem como banda base o regional Os Ingênuos, apresentações do Coral do Maestro Miguel Lima com a participação da ilustríssima Dona Canô, e aproximadamente vinte convidados especiais do cenário musical baiano como Lindro Amor, Barquinha de Saubara, Roberto Mendes, Marcia Short, Aloísio Menezes, Moreno Veloso, entre outros cantores e instrumentistas, além da exposição da vida e obra de Assis Valente por Jorge Portugal como mestre de cerimônia. O evento tem Direção Geral de Nilson Mendes, Musical de Jota Veloso e Produção da Hessel Produções, que, juntamente com Rodrigo Veloso, idealizaram o projeto, com consultoria da jornalista Flávia Alma. Para o fechamento do evento está programada a participação de todos os convidados acompanhados da banda base e do grupo percussivo Didá, onde este sairá em cortejo desfilando pela Praça.
O público estimado para esta grande festa é de 03 mil pessoas, com registro e transmissão pelo Instituto de Rádio e Difusão do Estado da Bahia (IRDEB) em rede regional para mais de 60 mil telespectadores e da TV Bahia através do programa Mosaico.
Nascido em 19 de Março de 1911, Assis Valente é um ícone da criatividade poético musical do século XX e indiscutivelmente um dos mais importantes e expressivos nomes da musica popular brasileira, respeitado não apenas no Brasil como também no exterior através das interpretações da não menos relevante cantora e atriz Carmem Miranda. Este é sem dúvida o “Ano Assis Valente”, conforme denominado pelo Ministério da Cultura.
Serviço:  
O que: “Assis Valente – 100 Anos” / Abertura do Festival de Turismo e Cultura Assis Valente. Onde: Coreto da Praça da Purificação, Santo Amaro (Recôncavo), Bahia. Quando: 19 de Março de 2011 Horário: 18h
Ficha Técnica:  
Direção Geral: Nilson Mendes Coordenação Musical: Jota Velloso
Coordenação local: Rodrigo Veloso
Direção de Produção: Augusto Hessel Banda Base: Os Ingênuos Apresentação Vida e Obra de Assis: Jorge Portugal. Realização: Hessel Produções, Secretaria de Turismo, Prefeitura de Santo Amaro, Secretaria de Turismo do Estado da Bahia
Programação:
- Manifestações folclóricas e Culturais:
·         Lindro Amor 
·         Maculelê Netos de Popó
·         Sociedade Filarmônica Filhos de Apolo
·         Sociedade Filarmônica Lira dos Artistas
·         Banda Percussiva Didá
- Coral do Maestro Miguel Lima sob a presidência e participação de Dona Canô
- Inauguração do Coreto Assis Valente
- Programação Musical no Coreto com o regional Os Ingênuos e Artistas Convidados
Artistas Convidados:
·         Aloísio Menezes
·         Belpa
 ·         Eduardo Alves
·         Jorge Portugal
·         Jota Veloso
·         Lívia Milenna
·         Mabel Veloso
·         Marcel Fiuza
·         Márcia Short
·         Marcio Valverde
·         Matilde Charles
·         Marília Sodré
·         Moreno Veloso
·         Noeme Bastos
·         Roberto Mendes
·         Sandra Simões
·         Stella Maris
·         Wil Carvalho
"CCC" (Centro Cultural Carioca"
"CCC" (Centro Cultural Carioca) apresenta a cantora Mariana Baltar Mariana Baltar Em um breve retorno às noites dançantes do Centro Cultural Carioca, a cantora Mariana Baltar faz tributo ao centenário de três grandes compositores da música brasileira: Nelson Cavaquinho, Assis Valente e Pedro Caetano. Mariana, que receberá convidados especiais nas duas noites em que se apresenta, será acompanhada por Josimar Carneiro (direção musical e violão), Marcílio Lopes (bandolim/bandola), Jayme Vignoli (cavaquinho), André Boxexa (bateria e percussão) e André Vercelino (percussão).
Data: 24  e 31 de março de 2011
Horário: 21hrs
Local: Rua do Teatro, 37- Centro - Rio de Janeiro/RJ
Maiores informações: (21) 2252-6468 - (21)2242-9642
(http://www.centroculturalcarioca.com.br)
Rio de Janeiro, 25 de março de 2011
Rádio "Verde é Vida"
 
Amanhar, dia 25/03/11, acesse o site da Rádio "Verde é Vida": (www.radioverdeevida.com.br), a partir das 15hrs, "Ao Vivo". Entrevista exclusiva c/ Nara Nadyle Valente, filha do compositor baiano Assis Valente e a jornalista Flávia Vianna, no programa "Samba em Sintonia" c/ Eliane Faria numa homenagem ao "Centenário" do compositor, completado no dia 19/03/11. Não perca!
Notícias
Centenário Assis Valente
Laura Macedo
 
José de Assis Valente * 19/3/1911 - Bahia + 10/3/1958 - Rio de Janeiro, RJ
Há cem anos, na Bahia, nascia José de Assis Valente detentor de uma vida oscilante entre tristezas X euforias – ingredientes de um bom folhetim – que permeou toda sua existência (47 anos).
A infância não foi nada fácil, resumindo:
- roubado dos pais;
- criado como semi-escravo em outra família que o abandona;
- pega cedo no batente como lavador de frascos numa farmácia;
- integra a “troupe”do Grande Circo Brasileiro.
Tudo isso até os dez anos de idade.
A resposta ao questionamento acima, do menino Assis Valente, veio através das palmas da platéia e a conseqüente contratação do nosso “Menino Valente” pelo Circo Brasileiro, onde teve suas primeiras experiências artísticas como comediante e interpretando canções musicais. Após um ano de atividades circenses retorna à Salvador e aos estudos de desenho / escultura e torna-se aprendiz de prótese dentária. Mas o grande sonho era partir para o Rio de Janeiro, o que aconteceu em 1927.   Chegando na Cidade Maravilhosa, sustentou-se vendendo desenhos para as revistas “Shimmy” / “Fon-Fon” e como auxiliar de protético. Protético foi a profissão que exerceu por toda a vida. No efervescente Rio de Janeiro do final da década de 1920 e começo de 1930, Assis Valente aproxima-se do meio artístico interagindo com os compositores da época. E que época fértil!   Em 1932 conhece Heitor dos Prazeres que ficou impressionado com a sua facilidade em fazer versos. Heitor só fez colocar um pouco de “lenha na fogueira” incentivando o amigo a compor sambas. Na época era “chique” falar francês ou usar termos franceses. E foi criticando esse maneirismo que ele compôs “Tem francesa no morro”, estreando, irreverentemente, na Música Popular Brasileira.
“Tem francesa no morro” (Assis Valente) # Aracy Cortes e Conjunto Rosa e Ouro. 1967.
 
A história deste samba é o próprio Assis quem nos conta:
“Lembro-me do trabalho que tive para conseguir que Aracy Cortes gravasse minha primeira composição. Quando eu componho, aliás, já penso no artista que irá cantar a música. Isso aconteceu com ‘Tem francesa no morro’, que fiz especialmente para a Aracy que, por sinal, eu nunca havia sido apresentado.
Quando consegui encontrá-la, depois de muita luta, ela pediu que eu cantasse o samba. Em seguida, pediu que eu passasse no piano. Aí, mesmo sem olhar pra mim, Aracy começou a rir com a letra e eu percebi estão que a coisa estava caminhando bem...”.
  “Tem francesa no morro” – que já revela o Assis Valente cronista do cotidiano da época – não alcançou sucesso. Mas não demora muito e emplaca o primeiro sucesso com “Boas Festas”, feita no Natal de 1932, sendo gravada em 1933. Indiscutivelmente um Hino do Natal Brasileiro.
“Boas festas” (Assis Valente) # Carlos Galhardo. Disco Odeon (33.723), 1933.
As composições de Assis Valente foram gravadas por artistas da época como Moreira da Silva, Carlos Galhardo, Almirante, Quatro Ases e um Coringa, Aurora Miranda, Francisco Alves, Mário Reis, Aracy de Almeida, Marlene, Sônia Santos,Irmãs Pagãs (Elvira e Rosina), Carmen Miranda, Bando da Lua e por artistas da atualidade a exemplo de Maria Bethânia, Nara Leão, Marília Medalha, Carmen Costa, Adriana Calcanhoto, Olívia Byghton e Vanessa da Mata.
Mas não resta a menor dúvida que Carmen Miranda foi a intérprete mais constante e importante da carreira de Assis Valente, gravando 25 músicas do compositor. (Existem controvérsias em relação a esse número. Confira Aqui).
 
 Quando Assis Valente viu Carmen Miranda cantando pela primeira vez, ficou impressionado. Nascia ali uma grande admiração pela cantora. Admiração que se transformaria em amizade e talvez até em paixão secreta, como relatam alguns pesquisadores.
Tentou várias investidas no intuito de aproximar-se de Carmen, mas sem muito sucesso. Até que teve o ”insight” que um “samba” os uniriam. Compôs e mostrou a ela, “Etc...”, e ela amou.
“Etc...” (samba) com Carmen Miranda. Disco Victor (33604), 1932.
A partir daí estavam formatados o sucesso e o estilo do compositor Assis Valente.
Durante toda década de 1930 e início da de 1940, Assis Valente era citado ao lado dos maiores compositores da época. Foi realmente uma década fecunda onde compôs seus maiores sucessos, desenhando neles reportagens musicais, típicas de um bom repórter sonoro. E que sonoridade!!
 
 A ida de Carmen Miranda juntamente com o Bando da Lua, em 1939, para os Estados Unidos, deixou Assis Valente, de uma certa maneira, órfão da sua maior intérprete. Ele mesmo reconhece que “sentiu-se só”, mesmo ressaltando que havia outros bons intérpretes para suas músicas.
Sabendo que Carmen viria ao Brasil em 1940 apressou-se e compôs dois sambas no capricho: “Recenseamento” e “Brasil Pandeiro”. O primeiro Carmen gravou, mas o segundo, justamente o que ele achava que lhe caía como uma luva, ela recusou.Tal fato o deixou profundamente magoado.
Uma conjugação de fatores contribuíram para o declínio de Assis Valente:
  - O fim do casamento com Nadyle que durou apenas dois anos e a conseqüente separação da filha Nara;
- As dificuldades financeiras. Era um tremendo mão aberta assumindo pra si o que não podia honrar;
- A “separação magoada”, de Carmen Miranda;
- E por fim, o esquecimento em vida.
Na dicotomia tristezas X euforias, que sempre permeou sua vida, a primeira estava levando vantagem. Tanto que tentou o suicídio por duas vezes, sem sucesso, mas, infelizmente, logrou êxito na terceira, partindo antes do tempo previsto pela Vontade Divina.
A predominância total da angústia em detrimento da alegria nestes momentos trágicos de sua vida é obvio que não se esquece. Como também é impossível esquecer a pujança das suas 154 músicas gravadas, boa parte formada de obras-primas, “com as quais soube mostrar seu valor e, por extensão, o da arte da gente bronzeada, que com tanto talento e brilho representou”. (Moacyr Andrade).
O que não poderia faltar numa boa festa de aniversário, principalmente na comemoração de um centenário, ainda por cima, de um compositor do naipe de Assis Valente? Resposta óbvia: MÚSICA, MUITA MÚSICA!!
 
 “Brasil pandeiro” (Assis Valente) # Novos Baianos, 1972.
 
Algumas das 25 músicas que Carmen Miranda gravou de Assis Valente.
“Pra quem sabe dar valor” (Assis Valente) # Carmen Miranda / Carlos Galhardo / Diabos do Céu. Disco (33.680 –B), 1933.
  ”Good-Bye” (Assis Valente) # Carmen Miranda e Orquestra Victor. Disco Victor (33.604-A),1933.
  Nosso sambista fatura o prestígio do 1º lugar do Concurso de Músicas Carnavalescas e a bagatela de um conto de réis.
“Minha embaixada chegou” (Assis Valente) # Carmen Miranda e Regional do Canhoto. Disco Victor (33.847-A), 1933.
“Vou espalhando por aí” (Assis Valente) # Carmen Miranda / Castro Barbosa / Diabos do Céu. Disco (33.936-A), 1935.
“E bateu-se a chapa” (Assis Valente) # Carmen Miranda, 1935.
“Camisa listrada” (Assis Valente) # Carmen Miranda / Conjunto Odeon. Disco Odeon (11.530), 1937.
“Isso não se atura” (Assis Valente) # Carmen Miranda, 1935.
“Recenseamento” (Assis Valente) # Carmen Miranda / Conjunto Odeon. Disco Odeon (11.712B), 1939.
“Uva de caminhão” (Assis Valente) # Carmen Miranda / Conjunto Odeon. Disco Odeon (11.712A), 1939.
“E o mundo não se acabou” (Assis Valente) # Carmen Miranda, 1938.
MÚSICAS DE ASSIS VALENTE COM OUTROS INTÉRPRETES
  “Cai, cai balão” (Assis Valente) # Francisco Alves / Aurora Miranda, 1933.
“Deixa isso pra lá” (Assis Valente / Alvinho) # Ciro Monteiro, 1956.
“Fez bobagem” (Assis Valente) # Elza Soares, 1961.
“A rosa e vento” (Assis Valente) # Clara Nunes, 1969.
“Boneca de pano” (Assis Valente) # Rolando Boldrin, 1998.
 
“Alegria” (Assis Valente / Durval Maia) # Vanessa da Mata, 2002.
Assis Valente com sua genialidade nata/sonora fez versos alegres e tristes traduzidos em melodias esfuziantes de ritmo e entusiasmo, apesar da dicotomia tristeza X euforia que permeou sua vida.
Ele lançou luzes no universo musical carioca e brasileiro deixando um rastro de sucessos imortais cultuados até hoje – 19 de março de 2011 -, dia do seu Centenário de nascimento.
Viva o samba de sabor carioca com tempero baiano de ASSIS VALENTE!!

Centenário de Assis Valente joga luz sobre bela obra de brasilidade vivaz

Assis Valente (1911 - 1958) era baiano, tendo nascido na mesma interiorana cidade de Santo Amaro da Purificação que gerou Caetano Veloso e Maria Bethânia três décadas mais tarde. Mas construiu e deixou obra musical impregnada do suingue e da malícia carioca - como nenhum outro compositor baiano conseguiria fazer, nem mesmo o polivalente Caetano. Nascido em 19 de março de 1911, Assis Valente poderia - quem sabe? - ter chegado aos 100 neste sábado se a idéia fixa do suicídio (tentado diversas vezes e consumado, enfim, por envenenamento em 6 de março de 1958) não tivesse encerrado precocemente sua vida atribulada. Os tormentos da vida de Assis - gerados em parte pela homossexualidade dissimulada com casamento que o levou a adotar vida dupla - contradizem a alegria e a vivacidade que pontuam boa parte da obra desse mulato baiano que compôs sambas antológicos como Camisa Listrada (1937), Brasil Pandeiro (1940) - revivido com propriedade nos anos 70 pelos pós-tropicalistas Novos Baianos - e ...E o Mundo Não se Acabou (1938). Assis - visto no traço de André Koehne - viveu o auge do sucesso nos anos 30 e foi primeiramente gravado por Aracy Cortes (1904 - 1985), cantora que lançou em 1932 o samba Tem Francesa no Morro (recentemente regravado por Zeca Baleiro com acento afrobeat no CD que traz o registro ao vivo do show Concerto). Mas foi Carmen Miranda (1909 - 1955) - que também viveu seus melhores momentos artísticos nos anos 30 - quem mais deu voz a Assis Valente. Que morou em Salvador (BA) antes de migrar para o Rio de Janeiro (RJ), onde criou seu cancioneiro cheio de verve, suingue e brasilidade. Compositor assiduamente presente nas paradas carnavalescas dos anos 30, Assis extrapolou com maestria o universo da folia. Sua tristonha canção Boas Festas - composta em 1932 e lançada em 1933 pelo cantor Carlos Galhardo (1913 - 1985) - se tornou o maior e mais perene clássico natalino criado no Brasil. Na seara junina, Assis deu ao povo a marcha Cai, Cai, Balão, lançada em 1933 pela irmã de Carmen, Aurora Miranda (1915 - 2005), em dueto com Francisco Alves (1898 - 1952). Em essência, contudo, Assis Valente passou para a História da música brasileira como um dos compositores que mais bem souberam traduzir em música a alegria do povo brasileiro, essa gente bronzeada que não vem dando o merecido valor a Assis Valente no ano em que se comemora, em silêncio, o centenário de nascimento do compositor. 



A BAHIA REVERENCIA SEU ILUSTRE FILHO ASSIS VALENTE

A cidade de Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano, vai se transformar a partir do próximo sábado (19) às 18h, num grande cenário de diversas linguagens artísticas homenageando durante todo o ano o compositor santamarense Assis Valente, que completa um centenário. O evento comemorativo faz parte de uma das ações do Festival de Turismo e Cultura Assis Valente, envolvendo as linguagens da gastronomia, do artesanato, da música e do folclore. O local escolhido é o Coreto da Praça da Purificação, que foi recentemente reformado e ganhará o novo nome “Coreto Assis Valente”, com cerimônia que acontece paralelamente a programação do projeto, uma iniciativa que é um passaporte para o lançamento oficial seguido de muitas surpresas.
Esta homenagem da Bahia ao seu ilustre filho Assis Valente tem como banda base o regional Os Ingênuos, apresentações do Coral do Maestro Miguel Lima com a participação da ilustríssima Dona Canô, e aproximadamente vinte convidados especiais do cenário musical baiano como Lindro Amor, Barquinha de Saubara, Roberto Mendes, Marcia Short, Aloísio Menezes, Moreno Veloso, entre outros cantores e instrumentistas, além da exposição da vida e obra de Assis Valente por Jorge Portugal como mestre de cerimônia. O evento tem Direção Geral de Nilson Mendes, Musical de Jota Veloso e Produção da Hessel Produções, que, juntamente com Rodrigo Veloso, idealizaram o projeto. Para o fechamento do evento está programada a participação de todos os convidados acompanhados da banda base e do grupo percussivo Didá, onde este sairá em cortejo desfilando pela Praça.
O público estimado para esta grande festa é de 03 mil pessoas, com registro e transmissão pelo Instituto de Rádio e Difusão do Estado da Bahia (IRDEB) em rede regional para mais de 60 mil telespectadores e da TV Bahia através do programa Mosaico.
Nascido em 19 de Março de 1911, Assis Valente é um ícone da criatividade poético musical do século XX e indiscutivelmente um dos mais importantes e expressivos nomes da musica popular brasileira, respeitado não apenas no Brasil como também no exterior através das interpretações da não menos relevante cantora e atriz Carmem Miranda. Este é sem dúvida o “Ano Assis Valente”, conforme denominado pelo Ministério da Cultura.
 

Assis Valente


Este é sem dúvida o Ano Assis Valente, conforme denominado pelo Ministério da Cultura. Assis Valente, ícone da criatividade poético musical do século XX e indiscutivelmente um dos mais importantes e expressivos nomes da musica popular brasileira, respeitado também no exterior através das interpretações da cantora e atriz Carmem Miranda.

Entre ser protético ou compositor, Assis Valente ficou com as duas profissões. Batucando na bancada do consultório, poesia e melodia nascendo juntas. Se estivesse vivo, o compositor baiano chegaria hoje ao seu centenário.

Assis Valente criou o nosso hino natalino, "Boas Festas", e sambas como "E o mundo não se acabou". Sua farta produção foi capaz de popularizar expressões, que eram faladas por todo o Brasil, como: "Deixa estar, jacaré" – ou durante todos os anos voltar a ser tocadas, como "Cai, Cai, Balão"...


José de Assis Valente (Campo da Pólvora/BA, 19 de março de 1911 — Rio de Janeiro, 6 de março de 1958) foi um compositor brasileiro, levado ao suicídio por dívidas. Dentre suas composições mais famosas está "Brasil Pandeiro".
Filho de José de Assis Valente e Maria Esteves Valente. Segundo relatava, tinha sido roubado aos pais, ainda pequeno, sendo depois entregue a uma família Santoamarense, que lhe deu educação, ao tempo em que o iniciou no trabalho, algo extenuante.
Aos dez anos de idade, Assis Valente já revelava grande admiração por poetas, como Castro Alves e Guerra Junqueiro, cujos versos declamava, encantando aos que ouviam. Por essa idade segue com um circo mambembe, até que finalmente radicou-se em Salvador, onde tornou-se aluno do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, aprendendo também a confeccionar dentaduras.
Em 1927 mudou-se para o Rio, onde se empregou como protético e conseguiu publicar alguns desenhos.
Na década de 1930, Assis Valente compos seus primeiros sambas, bastante incentivado por Heitor dos Prazeres. Muitas de suas composições alcançaram sucesso, nas vozes de grandes intérpretes da época, como Carmem Miranda, Orlando Silva, Altamiro Carrilho e muitos outros.

Sua admiração por Carmem fez com que Assis Valente aprendesse a tocar, pensando que o professor fosse pai adotivo da cantora - o que não procedia. A paixão não impediu que para ela compusesse várias canções, sempre presentes em seus discos.
Após ter uma dívida sua cobrada por Elvira Pagã, que lhe cantara alguns sucessos, junto com a irmã, Assis Valente tenta o suicídio pela primeira vez, cortando os pulsos.
Assis casou-se, em 23 de dezembro de 1939, com Nadyli da Silva Santos. Em 1941 (13 de maio) tentou o suicídio mais uma vez, saltando do Corcovado – tentativa frustrada por haver a queda sido amortecida pelas árvores.
Em 1942 nasceu sua única filha, Nara Nadyli. Assis separou-se da esposa.
Aos poucos, suas músicas caíam no esquecimento. Afundado em dívidas, inseguro quanto ao futuro, Assis Valente esforça-se para recuperar a carreira, compondo baiões, rancheiras, guarânias, na moda, mas fora de seu gênero. Em vão. Era sambista de letras brilhantes, reportagens sonoras, e não encontra mais espaço.
Desesperado com as dívidas, Assis vai ao escritório de direitos autorais, na esperança de conseguir dinheiro. Ali só consegue um calmante. Telefona aos empregados, instruindo-os no caso de sua morte, e depois para dois amigos, comunicando sua decisão.
Sentando-se num banco de rua, ingere formicida, deixando no bolso um bilhete à polícia, onde pedia ao também compositor e amigo Ary Barroso que pagasse dois alugueis seus, em atraso. Morreu às seis horas da tarde. No bilhete, deixou o último "verso":
"Vou parar de escrever, pois estou chorando de saudade de todos, e de tudo."
CURIOSIDADES
*Aos seis anos, foi raptado por um certo Laurindo que, achando "injusto um menino tão perspicaz viver em ambiente tão pobre", pediu para que a família Canna Brasil, de Alagoinhas, o criasse. Tudo correu bem até que o casal mudou-se para o Rio de Janeiro, deixando o menino na Bahia. Encaminhado para um hospital, passou a viver ali como lavador de frascos da farmácia.
*Passava um circo pela cidade, e o menino a ele se uniu, como comediante. Percorreu o Estado e, em Salvador, abandonou o circo, iniciando curso de prótese dentária e se empregando como desenhista em uma revista até que resolveu tentar a sorte no Sul.
*Como desenhista das revistas Shimmy e Fon-Fon, Assis Valente aproximou-se do meio artístico.
*Em 1917, Assis se mudou para Bonfim, onde se tornou responsável pela farmácia do hospital. Invejosos, os farmacêuticos locais enviaram uma receita contendo poderoso veneno para ser por ele aviada. Leu a fórmula, recusou-se a prepará-la e seu prestígio cresceu.
*Seu trabalho foi um dos mais profícuos da música, constando que chegava a compor quase uma canção por dia – muitas delas vendidas a baixos preços para outros, que então figuravam como autores.
*Seu primeiro sucesso, ainda de 1932, foi "Tem Francesa no Morro", interpretado por Aracy Cortes.
*Foi autor, também, de peças para o Teatro de revista, como Rei Momo na Guerra, de 1943, em parceria com Freire Júnior.
*Após sua morte, foi sendo esquecido, para ser finalmente redescoberto nos anos 1960, nas vozes de grandes intérpretes da MPB, como Chico Buarque, Maria Bethânia, Novos Baianos, Elis Regina, Adriana Calcanhoto, etc. Assim a obra de Assis Valente permanece, até hoje, sendo cantada e regravada pelas gerações que vieram depois de sua morte.
*O pesquisador e colecionador de discos de cera da música popular brasileira, Miguel Ângelo de Azevedo, o popular Nirez, é um dos entusiastas da obra do autor do samba "Brasil pandeiro".



Segundo Miguel Angelo, atual diretor do Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS), Assis Valente, mesmo não sendo carioca, foi um dos grandes sambistas de sua época. "Ele entrou para a música popular brasileira porque era apaixonado, não só pela intérprete, mas pela mulher, Carmen Miranda. Com o tempo, conseguiu realizar o seu sonho", conta Nirez.
Isso aconteceu, a partir do início da década de 30 quando a Pequena Notável emprestou sua voz para grandes clássicos de com letras e melodias Assis Valente, como "Good by boy", "Etcetera", "Minha embaixada chegou", "Uva de caminhão", "Camisa listrada", "E o mundo não se acabou" e "Recenseamento".
Na época, Carmen Miranda tornou-se a cantora que gravou mais músicas do compositor baiano. Ela também foi responsável por projetar suas criações, não só para o grande público brasileiro, mas também nos Estados Unidos.
No entanto, a parceria entre Assis Valente e Carmen Miranda não terminou muito bem. Depois de ter feito muito sucesso registrando parte da obra do compositor, Carmen não quis gravar o antológico "Brasil pandeiro".
Nirez lembra também que, antes desse episódio, o samba "Camisa listrada" chegou a ser gravado pelas Irmãs Pagãs. No entanto, Assis Valente não liberou a versão, esperando que sua interprete favorita o gravasse, como veio a acontecer depois.
No caso da recusa da cantora (portuguesa de nascimento, naturalizada brasileira e famosa nos EUA), Nirez diz que, "apesar deles serem muito amigos, quando ela veio dos Estados Unidos e já estava muito famosa, se negou a gravar o samba ´Brasil pandeiro´, pois o mesmo fazia críticas ao impacto da grande invasão artística, e, particularmente musical da cultura estadunidense no Brasil, tudo em nome do que se chamou da dita, política da boa vizinhança".
O samba só foi gravado um pouco depois. A versão mais antiga é do grupo Anjos do Inferno, conforme lembra o pesquisador cearense.
Quanto ao aspecto da criatividade de Assis Valente como compositor e sobre a importância de sua obra para a música popular brasileira, Nirez é categórico. "Embora, profissionalmente, no início ele tenha sido protético, na época ele se ombreava com os grandes compositores de samba no Rio de Janeiro e acabou se tornando um grande sambista. O suicídio era uma constante em sua vida e terminou morrendo, ingerindo guaraná com veneno", lamenta.
Como os anos 30 são considerados a verdadeira "Era de Ouro" da MPB, Assis Valente é lembrado como um dos grandes deste momento de nossa história cultural. Ao comparar com outros compositores de seu tempo, Nirez "como dois outros que não eram cariocas, os mineiros Ary Barroso e Ataulpho Alves, Assis se destacou bastante. Na minha opinião, talvez o Assis Valente tenha tido uma obra tão criativa quanto os outros que são sempre mais lembrados, como no caso de Noel Rosa. Acredito que o Assis Valente merece tanto destaque quanto o Noel, pois o baiano é também um compositor muito talentoso", defende o admirador.
Como algumas criações de compositores que se destacaram a partir das década de 30 na música popular brasileira são constantemente regravadas, Nirez lembra que realmente essas canções se tornaram clássicos da MPB. "As músicas das décadas de 30 e 40 continuam atualíssimas e não só as criações de Assis Valente são constantemente cantadas e gravadas até os dias de hoje. Entre outros, Ataulpho Alves também é um compositor que sempre tem suas músicas registradas", aponta.
Além de Carmen Miranda, também gravaram composições de Assis Valente em sua época Araci Cortes ("Tem francesa no morro"); Bando da Lua ("Maria Boa"); o quinteto cearense Quatro Ases e um Coringa ("Boneca de pano"); Aracy de Almeida ("Fez bobagem"), composta depois da segunda tentativa de suicídio do autor baiano; Moreira da Silva ("Prá lá de boa" e "Oi Maria"), entre outras; Aurora Miranda ("Sou da Comissão de frente") e Carlos Galhardo ("Boas festas"), a qual se tornou o hino do natal brasileiro, sendo até hoje cantado nas festas de dezembro em todo o Brasil.
Outro conterrâneo de Assis Valente foi o responsável da revitalização de sua obra para as novas gerações. No começo da década de 70, João Gilberto foi quem apresentou canções como "Brasil pandeiro" e "Boas festas" para Morais Moreira, que as gravou com os Novos Baianos. O baiano também tem músicas gravadas por Adriana Calcanhoto, Nara Leão, Chico Buarque, Maria Bethânia, Olívia Byington e Maria Alcina, só para citar outros intérpretes.

Bebel Gilberto - Camisa Listrada - Heineken Concerts - 1994

HOMENAGENS

A cidade de Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano, vai se transformar a partir de hoje dia 19/03/2011 (às 18h), num grande cenário de diversas linguagens artísticas homenageando durante todo o ano o compositor santamarense Assis Valente, que completa um centenário.

O evento comemorativo faz parte de uma das ações do Festival de Turismo e Cultura Assis Valente, envolvendo as linguagens da gastronomia, do artesanato, da música e do folclore.

O local escolhido é o Coreto da Praça da Purificação, que foi recentemente reformado e ganhará o novo nome Coreto Assis Valente, com cerimônia que acontece paralelamente a programação do projeto, uma iniciativa que é um passaporte para o lançamento oficial seguido de muitas surpresas.

Esta homenagem da Bahia ao seu ilustre filho Assis Valente tem como banda base o regional Os Ingênuos, apresentações do Coral do Maestro Miguel Lima com a participação da ilustríssima Dona Canô, e aproximadamente vinte convidados especiais do cenário musical baiano como Lindro Amor, Barquinha de Saubara, Roberto Mendes, Marcia Short, Aloísio Menezes, Moreno Veloso, entre outros cantores e instrumentistas, além da exposição da vida e obra de Assis Valente por Jorge Portugal como mestre de cerimônia.

O evento tem Direção Geral de Nilson Mendes, Musical de Jota Veloso e Produção da Hessel Produções, que, juntamente com Rodrigo Veloso, idealizaram o projeto.

Para o fechamento do evento está programada a participação de todos os convidados acompanhados da banda base e do grupo percussivo Didá, onde este sairá em cortejo desfilando pela Praça.

O público estimado para esta grande festa é de 03 mil pessoas, com registro e transmissão pelo Instituto de Rádio e Difusão do Estado da Bahia (IRDEB) em rede regional para mais de 60 mil telespectadores e da TV Bahia através do programa Mosaico.

Uva de Caminhão - Olivia Byington & João Carlos de Assis Brasil

Discografia e homenagens
Quatro álbuns póstumos reúnem trabalhos do compositor:
*Assis Valente (1970) - RCA/Abril Cultural 33/10 pol
*Assis Valente (1977) - Abril Cultural 33/10 pol.
*Assis Valente (1989) - FUNARTE LP
*Assis Valente com Dendê - Sons da Bahia (Secretaria da Cultura e Turismo da Bahia - Bahiatursa); Salvador, 1999.
*De 1956 é o álbum "Marlene Apresenta Sucessos de Assis Valente", da cantora Marlene.
*A Rede Globo, em 1977, dedica-lhe todo um programa da série "Brasil Especial". A mesma emissora, na década de 1980, usa um título de uma composição sua para nominar um programa – "Brasil Pandeiro" – apresentado pela atriz Beth Faria.
*"Brasil Pandeiro - Assis Valente", obra da Ed. Irmãos Vitale (Coleção "Canta um Conto", 2004, ISBN 8574071730) traz um pouco da obra do grande compositor.

Rio de Janeiro, 28 de março de 2011
Marcos Sacramento canta Assis Valente no Teatro Carlos Gomes

Espetáculo acontece hoje, às 19h30, no Centro
Foto: Banco de Imagem/Prefeitura do RioPara comemorar o centenário de nascimento do compositor Assis Valente, a Secretaria Municipal de Cultura promove hoje o show Marcos Sacramento Canta Assis Valente, às 19h30, no Teatro Carlos Gomes.
Marcos Sacramento já regravou diversas músicas do compositor baiano radicado no Rio. Valente é autor de clássicos como Brasil pandeiro e Camisa listrada.

O teatro Carlos Gomes fica na Praça Tiradentes s/nº, no Centro. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 2115-0556. O ingresso custa R$ 1.

Rio de Janeiro, 29 de março de 2011

Sacramento canta Valente em show memorável


Convidado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, através da Secretaria Municipal de Cultura, Marcos Sacramento subiu ao palco do Teatro Carlos Gomes na noite de segunda-feira (28/03/2001) para celebrar o centenário de Assis Valente. Compositor de sambas maliciosos, muitos deles lançados pela musa Carmen Miranda, o mulato baiano chegou ao Rio de Janeiro em 1927, onde viveu até dar cabo da própria vida às vésperas de seu 47º aniversário, bebendo guaraná com formicida.
Transitando pelo ambiente extremamente machista e moralista da boêmia carioca dos anos 1930, 1940 e 1950, Assis vivia reprimindo sua homossexualidade, temendo as maledicências da sociedade da época. A vida dupla – do efêmero casamento arranjado para manter as aparências nasceu sua única filha, Nara – foi retratada em ‘Gosto mais do outro lado’ (1934).
Muitas de suas composições foram feitas sob a ótica feminina: as clássicas ‘Camisa listrada’ (1937), ‘Recenseamento’ (1940) e ‘Fez bobagem’ (1942), além da obscura (mas não menos genial) ‘Amanhã eu dou’ (1942), entre outras. “É o samba que traduz meu prazer e minha dor”, sentenciou em ‘Batuca no chão’ (1945), parceira com Ataulfo Alves.
Misturando amargura e ‘Alegria’ (1937), Assis Valente criou sua batucada injetando altas doses de brejeirice em ‘Maria Boa’ (1936), ‘E o mundo não se acabou’ (1938), ‘Uva de caminhão’ (1939) e na pouco conhecida ‘A Maria é a maior’ (1954).
Carmen foi sua principal intérprete, gravando vinte e cinco composições, entre elas ‘E bateu-se a chapa’ (1935) e ‘Isto não se atura’ (1935), mas a primeira cantora a gravar um samba de Assis Valente foi Aracy Cortes com ‘Tem francesa no morro’ (1932).
O autor de ‘Brasil pandeiro’ (1940) foi gravado por várias cantoras. De Aracy de Almeida a Gal Costa, de Maria Alcina a Zezé Motta. Aparentemente, os sambas buliçosos do centenário compositor não seduziram as novíssimas gerações de intérpretes femininas, cabendo a Marcos Sacramento a honra de traduzir brilhantemente todas as nuances das canções citadas neste texto durante o show.
Acompanhado dos músicos Luiz Flávio Alcofra (violão), Pedro Aune (baixo), Ruy Alvim (sopros) e Netinho Albuquerque (percussão), Marcos mostrou (mais uma vez) seu valor, abusando das síncopes para pontuar a malícia das verdadeiras crônicas de costumes escritas pelo compositor. Valente, Sacramento subiu o tom em alguns números, mostrando habituais domínios vocais e cênicos, na apresentação memorável que merecia registro para a posteridade.
Júlio César Biar